Belgas: o patrimônio imaterial que pulsa mais forte

Esse início de ano trouxe muitas surpresas, e uma delas foi a decisão da Unesco de incluir as cervejas belgas na lista de patrimônio imaterial da humanidade. Vou contar um pouco mais sobre essa complexa forma…

Escola belga

Quando me perguntam se eu gosto de cerveja belga, sempre fico na dúvida sobre o que responder. Isso porque eu gosto de cervejas belgas, mas nem de todos os estilos (e são muitos). Além disso, apesar de admirar a ousadia de muitos estilos, métodos e ingredientes inusitados, é a tradição que mais me chama atenção. Então, o que realmente me encanta? A resposta não é tão simples.

Foto: arquivo pessoal

Já provei Gouze extremamente ácidas, mas na boa, uma lambic fuit beer com frutas vermelhas, delicada e refrescante me ganha mais. Nem as charmosas Red Ale de Flandres me conquistaram. Fico com uma bela Dubbel, que diga-se de passagem é meu estilo belga predileto.

E o que dizer das Dark Strong Ale? Cervejas extremamente complexas, tanto no sabor como aromas. Ricas e elegantes. Potentes e bem acabadas. Um desafio para qualquer cervejeiro que tenta reproduzir mundo a fora. Porque meu amigo, cá pra nós, os belgas tem muita “intimidade” com suas leveduras.

E quem conhece as cervejas, e entende de produção, sabe como merecem respeito.
Quando os lúpulos cítricos ganharam o mundo cervejeiro, os belgas adaptaram de forma encantadora, com receitas extremamente tradicionais à versões “Single hop” e apresentaram as Belgian IPAs. Frutadas e amargas.

No Brasil, muitos estilos são reproduzidos. E podemos encontrar boas cervejas dessa escola.
Quem conhece minha história de “caçador de cervejas” sabe do meu antigo amor pela Wäls Dubbel, muito antes do prêmio que ela recebeu, e muito antes de ela pertencer a um mega grupo, que aliás, adquiriu grandes rótulos de cervejarias belgas nos últimos anos. Mas em Minas, também temos a Taberna do Vale que produz a MariWit, uma deliciosa Wit bier. Em Curitiba, a BodeBrown faz uma excelente Tripel, e a Tupiniquim possui uma Dubbel de respeito, entre outras tantas.

A Bélgica conquista o mundo, cervejisticamente falando, pela sua diversidade e liberdade, mas também tradição. As Trapistas, por exemplo, são famosas não só pela qualidade de suas cervejas, mas em alguns casos, pelo difícil acesso, como é o caso da Westvleterem. Sempre serão objeto de desejo dos beerhunters.
Na mesa, não há dúvidas: existe um estilo belga para cada prato servido. E vou confessar: uma parte do meu coração pulsa por cervejas belgas.

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