Aberta a temporada de medalhas

Enquanto boa parte da economia brasileira só engrena depois do carnaval, o setor cervejeiro vive um dos seus momentos mais intensos.

Por RodZefer

Diz a sabedoria popular que março é o primeiro mês do ano no calendário brasileiro. Sabe como é, depois da festança de dezembro vem o calorão de janeiro, férias das crianças, aquela esticada pra pegar uma prainha…, então vamos segurando o trabalho entre as coxas porque daqui a pouco, você sabe né, todo mundo tem que se preparar para aqueles quatro dias intensos (na Bahia são tipo 10) em que as regras sociais são ligeiramente afrouxadas e um certo espírito de insanidade invade as ruas do país.
Pois é em março que começa a temporada de grandes eventos cervejeiros, e logo de cara temos o mais importante, o Festival Brasileiro da Cerveja, em Blumenau-SC (de 8 a 11 no Parque Vila Germânica), que inclui a Feira, com diversos expositores, e o cobiçado Concurso.

Aquela turbinada

Já deu pra perceber que, para as cervejarias, não tem moleza nenhuma no começo do ano. Além do aumento da demanda com o Carnaval, é nesse início que os cervejeiros finalizam os preparativos dos rótulos que serão apresentados aos jurados mais exigentes do país. Poucos sabem, mas é praxe entre as fábricas artesanais preparar uma receita especial criada especificamente para o concurso. É como treino de classificação de Fórmula 1: mudam-se detalhes na configuração do carro para que o piloto consiga aproveitar todo o seu potencial em uma única e perfeita volta.
Mas não se engane: se o rótulo faz sucesso entre os especialistas, sua receita certamente servirá de inspiração para a criação dos próximos produtos que estarão no seu copo.

Contudo, sempre há exceções, como o caso da participação da Brüder no Festival de 2016. A decisão de inscrever a American Red Lager no concurso foi tomada de última hora, o que obrigou a cervejaria a enviar para Santa Catarina exatamente o mesmo produto que é oferecido ao consumidor. O resultado foi uma brilhante medalha de prata, num ano em que nenhuma outra atingiu pontuação para o ouro.

Números

O concurso, considerado um dos três mais importantes do mundo, acontece pouco antes da abertura da feira (nos dias 4 a 6 de março). Neste ano serão 61 jurados de 20 países. Em 2016, foram nada menos que 1.496 rótulos concorrentes.

Foco no sabor

Neste ano o Festival chega mais artesanal do que nunca. Considerada uma grande vitória nessa guerra de muitos Davis contra poucos Golias, a organização, com apoio da Prefeitura de Blumenau, decidiu que não haveria um grande patrocinador para o evento, assim como instituiu-se a exclusividade para microcervejarias no espaço dos estandes expositivos, o que impede a entrada das chamadas “cervejas especiais” produzidas pelos grandes grupos fabricantes da bebida que atualmente dominam o mercado no Brasil. O que acontecia antes era que, por dispor de recursos “infinitos”, as marcas adquiridas pelos gigantes do setor ofuscavam as verdadeiras microcervejarias, com toda a pompa e a perfumaria dos seus caríssimos estandes de luxo.
Outra mudança importante foi a decisão de repassar 1% da receita do evento para a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), fortalecendo ainda mais o movimento cervejeiro do país.