Dia dos Pais Brüder

Me lembro perfeitamente a primeira vez que cheguei em casa com uma cerveja caseira que havia feito. Coloquei pra gelar e depois de um tempo chamei meu pai pra provar.
Ele sequer sabia que eu fazia cerveja em casa. É que quando eu e meus amigos começamos, não falávamos pra ninguém. Era segredo. Tratava se de uma stout, cerveja escura, mais alcoólica do que as que ele era acostumado. E bem diferente das cervejas “escuras” que ele bebia raramente.
Ele provou e disse: “É forte né rapaz… E é boa”. Não fez perguntas, não rendeu conversa. Ele era assim.
E a cada cerveja que eu trazia, ele esboçava curiosidade. Minha mãe não gostava da ideia. E toda vez que ia sair pra assuntos de cerveja, ele soltava: ” Ele lá vai pra cerveja.”
Nessa época eu fazia faculdade de Historia na Unileste e tinha uma bolsa de Iniciação Cientifica pela FAPEMIG. Ou seja, a rotina de estudar e transcrever entrevistas no computador dividia espaço com estudos cervejeiros.
Meu pai não chegou a conhecer a fábrica. Mas via as fotos e ficava encantado. Até o dia que levamos um barril de Pilsen pra casa.
Muitas tardes eu saia e voltava apenas na hora de ir pra faculdade, ou saia da faculdade e virava noite engarrafando ou fazendo cerveja na casa dos amigos. Até que aquele hobby virou profissão.
Só quem conheceu meu pai pode entender. Melhor, só quem é da família.
Hoje a cada medalha que recebemos, cada premiação, me lembro dele acompanhando aquela caneca encher. Encantado com a chopeira na varanda da sua casa, pegou a caneca e deu uma golada, olhou a cerveja e disse: “essa até parece cerveja”. Rimos e abraçamos ele, que estava eufórico.
Pai sempre tentava não demonstrar tanta emoção, mas pra certas coisa ele era como eu, e os olhos molhavam facilmente.
Ele nunca precisou me dizer se curtia o fato de ter um filho cervejeiro, se dava à ele algum orgulho. Nunca esperei dele, mas sempre foi marcante pra mim ver ele bebendo.
De todas as memórias que tenho, as melhores, sem dúvidas, são aquelas em que aparecemos bebendo cerveja juntos.
Sempre fui sonhador quando se trata de cerveja. Ver fotos em que meu pai aparece empunhando uma caneca sempre empolga tanto quanto ver grandes juízes ou especialistas bebendo nossas cervejas.