FICC: a festa da cerveja mineira (ou da música gringa?) PARTE 1

FICC_2016

O cenário é sensacional: Parque das Mangabeiras, ao pé da Serra do Curral, patrimônio histórico e ambiental e um dos mais famosos cartões postais de Beagá. Foi lá que aconteceu, neste fim de semana (6 e 7) a segunda edição do Festival Internacional de Cerveja e Cultura. O megaevento teve a presença de 30 cervejarias mineiras, somando mais de 200 rótulos, e tinha o Reino Unido como inspiração.

Tinha cerveja boa? Tinha cerveja boa, várias, algumas incríveis. A organização teve o mérito de atrair os principais cervejeiros do estado que foram pra lá não só vender suas criações, mas também buscar interação entre profissionais da área e, principalmente, com o cliente mais interessado em conhecer mais sobre o vasto universo da bebida.

cervejaria_loba

Com toda minha independência de visitante/caçador de cerveja, podemos rasgar o verbo sem temer: a brisa gélida que batia no paredão da serra e recirculava entre os estandes, carregava um ar de decepção. Tá certo, o evento foi bem produzido, tinha playground infantil, tatuagem instantânea, praça de alimentação variada, carrinho de churros, banheiro químico a perder de vista, dois palcos de música, trocentas bandas e sei lá mais o que. Mas será que era isso mesmo?

A sensação que ficou, expressada por todos os produtores com quem conversei, foi de que o rock inglês mediano que tocava no palco roubou da cerveja a condição de estrela do fim de semana. Mais parecia um festival de música britânica com alguns pints diferentes pra acompanhar.

Um dos palcos foi montado bem no meio dos estandes e o som alto pra cacete praticamente impedia o cervejeiro de falar sobre suas criações com os clientes – coisa que a gente adora. Sem citar que o esperado concurso de homebrewer que estava na programação sequer aconteceu no sábado.

E se eu tava achando super razoável o ingresso de 30 conto, fui sumariamente desiludido pelo caixa ambulante logo na entrada, quando tentei carregar o cartão de consumo com “apenas” R$ 50. “Cara, põe logo uns cem, isso aí não vai durar uma hora”, debochou ele.

De fato, as brejas mais baratas, aquelas que você nem tá muito interessado em conhecer, custavam R$ 10 o copo de 300 ml. Uma boa porter ou uma IPA de responsa não saíam por menos de 15 mangos. Voltei no caixa mais umas duas vezes pra recarregar, isso porque os vários amigos cervejeiros não hesitavam em oferecer suas melhores criações como cortesia para um colega – talvez já constrangidos pelo preço que eram “obrigados” a cobrar. Não tinham muita saída, já que para ter direito a um daqueles cercadinhos minúsculos, tinham que desembolsar R$ 1.500 mais inacreditáveis 28% de todo o faturamento.

cervejaria_dos_caras

Tenho pra mim que um festival de cerveja artesanal não deveria ter o lucro como objetivo maior, nem tampouco deveria deixar sua atração principal na sombra. Ok, os custos de um evento assim são altos. Então por que tantas bandas, pra quê tanto sideshow?
Cerveja artesanal, antes de mais nada, deve ser democrática, o mais acessível possível. Porque essa é nossa guerra, é contra as grandes corporações e sua política predadora. Por isso, todos devem poder beber do que a gente faz, porque a diferença grita.

E as cervejas? Claro, depois desse desabafo, vamos falar do que interessa. O próximo post será sobre elas, as melhores que bebemos lá.

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