O meu, o seu, o nosso paladar

O meu gosto realmente é diferente do seu. Partindo dessa premissa, posso eu amar aquela breja, você tolerar e seu amigo odiar. Mas existe muita coisa aí nesse meio de campo que não paramos para pensar: “você é o que você come”. Ditado que todo mundo conhece e que eu escuto desde que me entendo por gente. Ele trata de um ponto de vista fisiológico, mas o que está em jogo no processo de experimentação, de gostar ou não de certas coisas, está muito além desse aspecto e pode ser repensado muitas vezes. Inverta a frase: “você come o que você é” e aí está todo o conhecimento desse mundo de combinações gustativas que hoje chamamos de harmonização.

Você é o que você bebe

Existem diversos estereótipos que determinam o que você é pelo jeito que fala, como se veste, come ou bebe, e existe ainda uma ligação de causa e efeito sobre o que lançamos goela abaixo no nosso corpo. Não é atoa que médicos e nutricionistas falam sobre o que é ou não saudável. Então, ao selecionar sua cerveja e “beber com moderação” você está se protegendo fisiologicamente. É feio beber pra dar PT? É. Mas quem nunca? Você escolhe beber aquela cerveja porque é mais saudável? Claro, melhor assim!

Daí surgem diversos produtos de linhas de alimentos e bebidas diet e light com os olhos na geração fitness. Ou por outro lado, a seleção de ingredientes orgânicos, ou qualquer outro tipo de seleção. Negócios? Também. Mas se existe o público, existirá o produto. É uma questão de tempo.

Outro exemplo: essa padronização de que fulana só bebe pilsen assim como ciclano bebe uma breja forte, e aí existe uma lista de variáveis entre o que fulana e ciclano fazem da vida e que aos “bons olhos” da sociedade determinam suas predileções. Coisa de mulherzinha ou coisa de macho, alguns vão dizer. Pois bem, como você forma as preferências do que você gosta? Poderia afirmar com certeza que tudo o que você bebe é só porque gosta ou tem lá uma pontinha de como as pessoas te olham quando…? Acho que isso não existe mais nessa era de liberdade tecnológica, não é gente?

Você bebe o que você é

 

Isso tudo foi sendo construído com suas emoções e com os sabores da sua vida até hoje. Esses sabores são os mesmos? Acredito que nunca serão. Parecidos, mas não os mesmos. A verdade é que tudo está ligado ao seu repertório de sensações, às suas memórias gustativas. O que você come e sente hoje é “o lanche que sua mãe fazia quando você era criança” ou “aquele porre de adolescência que te impede de beber esse ou aquele vinho” e até “o gosto horrível da sua primeira cerveja”. Se você não provar de novo, em outro momento, e de novo com outros olhos, será como aquele amigo chato pra beber que só toma a cerveja X porque não gosta das outras. Você tem um que eu sei. E você é um desses, pode acreditar. Por costume, por questões políticas ou monetárias – risos – você bebe e deixa de beber.

Da próxima vez que encontrar aquele amigo avisa que o mundo é grande e que existem muitas possibilidades em muitos momentos. Se ele não entender o recado, oferece uma cerveja artesanal diferente. Quem sabe ele não chega nesse texto, né?

 

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